Engravidei na primeira tentativa – FIV

Depois que tomei a decisão de que sim quero ser mãe, o próximo passo foi entender como isso poderia acontecer, já que meu marido havia feito vasectomia há algum tempo e os médicos não indicavam a reversão como uma opção, pois segundo eles, seria um procedimento muito delicado com poucas chances de ser bem sucedido.

Daí muitas pessoas me perguntaram: mas porquê você não adota? E sim, eu digo que ainda tenho vontade de no futuro adotar uma criança também.
Mas para mim, a experiência de gerar uma vida, de se transformar por inteiro, de ser a morada de alguém, é algo que queria um dia vivenciar.

Tenho o hábito de me cuidar muito bem, faço os exames periódicos necessários e vou à minha ginecologista no mínimo uma vez ao ano pra entender se está tudo bem e com todo o cenário positivo da minha saúde, achei que o processo pra engravidar seria bem tranquilo e sem surpresas, já que nunca engravidei por me preservar e não ter feito planos para tal.

E então após uma conversa com a minha gini e receber os últimos exames confirmando que estava tudo ok com a moça aqui, começamos a buscar a clínica e os profissionais que fariam parte dessa importante etapa em nossa vida.

No começo a idéia era congelar os óvulos e fazer o procedimento após outros planos que tenho em mente. Mas no decorrer do processo, decidimos que o momento era ideal.

Moro em Campinas, interior de São Paulo, então agendamos consulta com 3 profissionais diferentes. É sempre muito importante ouvir diferentes especialistas e entender a fundo o tratamento, para então tomar a decisão – que nesse caso não é nada barata.

Meu marido, logo que conheceu o Dr. Ricardo, urologista que realizou o procedimento nele, na hora já tomou sua decisão sobre quem faria a parte dele. Após algumas consultas, ele já se sentiu muito confortável e isso é essencial independente de qualquer outra coisa.

E coincidentemente, a Dra. Fabiana, ginecologista que faria meu procedimento e cuidaria de mim, também foi a que me transmitiu muita confiança e para facilitar a nossa vida, é da mesma clínica de fertilidade. Foi uma conexão instantânea.

Mas porquê optei pela FIV?

Expliquei um pouco no post que anunciei minha gravidez, que inicialmente eu tinha a intenção de congelar os óvulos para ter a possibilidade de engravidar futuramente – então nesse caso, a FIV seria a única forma de engravidar posteriormente já que uma vez que você congela os óvulos, quando faz a opção de engravidar, é necessário a fertilização em laboratório para depois transferir esses embriões para o útero.
É um pouco estranho, as vezes parece meio frio por ser muito técnico, mas apesar de termos uma ciência extremamente avançada sabemos que o dom da vida, é um milagre de Deus.

Existem vários tratamentos para engravidar e cada um deles vai depender muito do tipo de problema que o casal enfrenta.
Até onde pesquisei, FIV é um dos mais caros, pois envolve indução de muitos hormônios que tem um custo bem alto, análises, manipulação laboratorial e procedimentos como a pulsão dos óvulos, fecundação dos embriões, acompanhamento do desenvolvimento dos embriões e transferência deles para que então, se tudo correr perfeitamente, é o início da gravidez. Ah, e também tem a parte de congelamento desses embriões, porquê por lei não podemos simplesmente descartar os embriões que foram concebidos (não por alguns bons anos).

Algo muito importante a dizer é: além dos inifinitos exames laboratoriais pra entender detalhes da saúde do casal, da indução de hormônios na mulher que nos deixa muito sensíveis e transformadas fisicamente, da ”pressão” que nós mesmos fazemos pra tudo dar certo, têm também a legislação e muitos, mas muitos contratos e consentimentos para assinar em cada etapa do processo. (ex: além de pagar uma taxa anual para manter os embriões preservados, é necessário preencher um documento dando autonomia para quem terá a responsabilidade sobre esses embriões caso ambos faleçam, ou se depois de 3 anos os embriões serão descartados, ou até mesmo caso não queiram congelar, se autorizamos a doação desses embriões para casais que não conseguem engravidar ou para estudos e testes).

Como foi o tratamento?

Sempre tive receio do processo da FIV por ouvir que é muito agressivo principalmente ao organismo da mulher.
No meu caso não foi tão traumático assim, muito pelo contrário, superou expectativas.
Temos que ser bem responsáveis com os horários dos medicamentos, assim como orientações médicas sobre o que fazer em cada passo, porém o tratamento se resume em: entender a saúde da mulher, a produção ovariana e a fazer a contagem de folículos em um ciclo normal, sem indução de remédios. Após isso, o médico irá indicar uma quantidade específica de hormônios para estimular a produção de folículos, fazer o acompanhamento com alguns ultrassons e posteriormente fazer a coleta dos folículos maduros no momento ideal para fazer a fecundação.

Pra mim o momento mais complicado foi na indução da medicação, porque nunca fui muito bem em exames laboratoriais, coletar sangue sempre me fazia passar mal e quando percebi que eu mesma teria que aplicar na barriga aqueles remédios com agulhas gigantes, isso me amedontrou um pouco. Mas tudo superado!

A minha experiência foi bem tranquila na coleta dos folículos. Tomei anestesia para que a coleta pudesse ser feita e posterior ao procedimento não senti nenhum desconforto ou dor. No mesmo dia, eles fazem a fertilização em vitro e aguardam de 3 a 5 dias para acompanhar o desenvolvimento dos embriões fecundados, onde são classificados como A, B ou C. Os melhores são transferidos.

Tivemos dois embriões com classificação A e optamos por transferir os dois. No meu caso, não fizemos o congelamento dos embriões, então a transferência aconteceu 3 dias após a fecundação. Eles utilizam o termo transferência a fresco, e já li, que a taxa de sucesso é melhor na transferência de embriões congelados, pois são aqueles que sobrevivem por mais tempo e tem chances maiores de fazer a nidação. No nosso caso, deu super certo a transferência a fresco, então não tenho pontos negativos ou frustrações para compartilhar.

Nós dois assistimos todos os passos da transferência dos dois embriões e foi tudo muito lindo. É indolor e acompanhamos tudo em tempo real.
A foto ali em cima, foi tirada minutos antes da transferência dos embriões. Nesse dia estava muito tranquila, muito em paz sabe? E durante o procedimento, eu e meu marido ficamos muito emocionados, com um sentimento muito forte de que tudo tinha dado certo.
O conselho de medicina orienta que, mulheres de até 35 anos transfiram no máximo 2 embriões, entre 35 e 40 anos transfiram 3 e acima de 40 anos o número sobe para 4 embriões.

Aproveito para indicar um vídeo bem interessante de uma clínica de fertilização em Ribeirão Preto que fala em detalhes do procedimento da FIV. Não foi a clínica que fiz, apenas um vídeo interessante que encontrei e acredito que valha a pena assistir!

Dia de fazer o teste e saber o tão sonhado positivo.

Após a transferência dos embriões, é necessário esperar 12 dias para então poder fazer o teste de gravidez e saber se de fato o tratamento deu certo. Quando a mulher engravida de forma “espontânea” ela só descobre oficialmente a gravidez depois que a menstruação atrasa não é? Pois bem, em uma reprodução assistida não é diferente. Faz parte do corpo humano ter o tempo adequado para que o embrião se instale no útero e aconteça a nidação, para só então ter o início da gravidez.
Minha médica foi bem enfática em dizer que não adianta fazer o teste antes pois pode dar o falso negativo, e também me orientou a fazer o exame de sangue (Beta HCG) pois é mais preciso. Eu segui os conselhos? Claro que não!

Foram momentos muito delicados. Ouvi várias histórias na clínica, sobre pessoas que só conseguem após muitas tentativas, por isso eu deveria manter a expectativa bem baixa. Ouvi também sobre um casal que se separou porque se desgastaram muito por não terem conseguido. Também me falaram sobre uma mulher que tentou pela quinta vez sem sucesso e na sexta tentativa apareceu com outro marido, além de um casal que iam às consultas com uma moto super antiga e que vendeu tudo o que tinha para alcançar o sonho de terem um bebê. Todos com certeza muito fragilizados com todo o processo, que apesar de levar um tempo entre uma tentativa e outra (meses) e também ser bem moroso, nunca está sob controle. O dom da vida não é do homem. O milagre da vida não depende de nós.


Confesso que no começo foi até tranquilo esperar, já que não haviam possibilidades de dar positivo mesmo que estivesse grávida. Mas quando completei 10 dias, não conseguia ficar tranquila já que assisti muitos vídeos de mulheres que tiveram o positivo antes dos 12 dias.
Fui em uma farmácia e comprei o teste que tem aquelas duas linhas e no domingo a noite já apliquei o teste – a pior coisa que fiz.
Primeiro não esperei a urina da manhã como recomendado, já que ela concentra os hormônios e auxilia no teste e segundo que esse teste é subjetivo. As vezes você enxerga o segundo risco (que significa que está grávida) e outras vezes você acha que não tem nada. Eu, prática como sou, achei que tinha dado negativo, meu marido jurava que tinha a segunda linha.

No dia seguinte, voltei à farmácia e comprei o texto digital com indicador de semanas da Clearblue em que fica escrito Grávida de x Semanas ou Não Grávida. Assim não tinha risco de erro na interpretação (fica a minha dica para as ansiosas que não vão conseguir esperar os 12 dias – comprem pelo menos o teste que vai te dizer com precisão o resultado e te deixar tranquila). Fiz logo de manhã e já vi o resultado: estava grávida de 1 a 2 semanas. Chorei muito, comemorei e claro, agradeci muito.

Depois que completamos 12 dias, ou seja, no dia seguinte ao teste da Clearblue, fiz o exame Beta HCG que apenas confirmou a gravidez e logo agendei com a Dra para entender os próximos passos.

O primeiro ultrassom a gente nunca esquece.

Tudo bem que até hoje cada ultrassom me deixa com friozinho na barriga. É uma mistura de saudade de ver minha neném e ansiedade pra entender se tudo está correndo conforme necessário na sua formação e saúde.
Mas o primeiro ultrassom tem um sentido todo especial, afinal, é a primeira vez que de fato nós podemos enxergar e ver nosso baby se mexendo e desenvolvendo.

Já sabia que estava grávida, e logo com 4 semanas, fui fazer o primeiro ultrassom na clínica para garantir que tudo estava bem. Eis que soubemos que dos dois embriões, um continuou ali… estávamos esperando um bebezinho lindo, e ouvi pela primeria vez o coração batendo tão forte, que não tinha dúvidas de que sim, já me tornei mamãe. Já me sentia diferente.

E quanto custa a FIV?

É muito complicado falar o custo exato de um tratamento, porquê isso vai depender de muitos fatores, como a clínica, a região que você mora (algumas cidades naturalmente possuem o custo de vida mais elevado e consequentemente o tratamento será mais alto) e também o tipo de tratamento e quantas tentativas que deverão ser feitas.

No nosso caso, como expliquei anteriormente foi tudo muito rápido e deu muito certo desde o começo.
Eu tomei uma receita apenas de hormônios, ou seja, induzi um ciclo e logo em seguida já partimos para o processo de captação, fecundação e transferência.
Para nós, tudo ficou em torno de 35 mil reais, já incluindo os remédios (orais e injetáveis), os procedimentos em clínica, procedimento cirúrgico do meu marido para coleta dos espermatozoides (que tinha vasectomia) e ultrassom.

Cada caso é um caso, por isso primeiro busque ler sobre o tema, procure conhecer diferentes profissionais, se prepare financeiramente e então você terá a tranquilidade de escolher a melhor clínica para realizar um sonho tão importante pra você.

Não desista do seu sonho.

Sei que muitos casais tentam diversos tratamentos e o que para alguns é as vezes rápido e simples, para outros não parece possível. Eu confio muito em Deus, e sempre acreditei que se eu posso sonhar, eu posso fazer.
Por isso minha mensagem é não desistir. Ir com cautela, com responsabilidade. Se programe, tenha paciência e entregue nas mãos de Deus.
E se tudo se esgotar, se realmente não for mais possível ter um filho biológico, existem ainda assim muitas maneiras de fazer alguém feliz e ser muito, muito feliz também.
Adoção é uma delas. É uma entrega, uma doação, e acredito que o amor que você recebe de volta é maior que qualquer coisa, e pra finalizar o post, vou compartilhar uma frase que um amigo muito querido um dia me disse:

“A experiência humana só é completa, depois que você tem filhos”.

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