Cada nova conquista é motivo para comemorar

Imagem da Juliana Pecosqui e seu filha Bella

Esse post é sobre amor (ah vá!). Pois é, tudo o que acontece comigo nos últimos meses é a experiência do mais puro e intenso amor.

Minha bebê completou quatro meses e parece que foi ontem que saí da maternidade com um pacotinho tão pequeno, que mal conseguia se expressar. Hoje, fala tanto aos quatro ventos, balbucia alto e sorri ao ouvir a própria voz. Algumas vezes está tão entusiasmada que solta seus gritinhos desafinados (mas que pra mim são os mais afinadinhos do planeta). Ah, sem contar aquela risada gostosa, cheia de expressões e vontade, quando algo diferente acontece, afinal, um mundo todo novo está acontecendo pra ela. O significado da palavra amor nunca fez tanto sentido.

É realmente incrível viver a experiencia de ser mãe. Ter aos seus cuidados uma criança te faz aprender muito todos os dias. Te faz relembrar sua infância e mais, reviver os sentimentos das descobertas. Cansa sim, mas te dá o prazer de se sentir mais viva que nunca.

Nós adultos, vivemos como se tudo fosse óbvio e só algo muito fora do comum ou muito novo pra gente tira nosso fôlego. É como se nos acostumássemos a ter uma vida sonsa dentro de um aquário em preto e branco. Ao nos permitirmos olhar com os olhos de uma criança notamos que vivemos em um oceano, enoooorme, gigante… com cores vivas e fortes.

Diante desse universo gigante, é incrível e inspirador notar como as crianças se desenvolvem tão rápido. Minha filha por exemplo, tem só 4 meses e 5 dias e já notei tanto progresso! A cordenação motora por exemplo é um deles. Ela adquiriu há algumas semanas a habilidade de tirar a chupeta por conta própria, brincar com ela mordendo as laterais e tentando colocar novamente na boca, mas sempre sem sucesso, o que a fazia deixar de lado ou jogar longe nervosa impaciente depois de tantas tentativas. E quando quer a chupeta sempre resmunga, me olha nos olhos com sinais de que precisa de ajuda.

Ontem eu estava caminhando com ela em um parque da cidade, coisa que procuro fazer todos os dias, (sempre tomando todos os cuidados necessários nessa pandemia, antes que me perguntem). A dinâmica funciona da seguinte forma: sempre que a chupeta cai por alguma manobra radical do carrinho no asfalto irregular, ou quando a Bella brincando com suas mãozinhas e acidentalmente deixa cair e resmunga que ainda quer a chupeta, eu paro o carrinho e com calma coloco novamente em sua boca e sigo o passeio. Em uma dessas paradas, quando ela mesma tirou a chupeta da boca e soltou na lateral entre sua perna e o carrinho, parei pra ajudar. Ao tentar colocar a chupeta na boca, ela virou o rostinho e não pegou. “Entendi o recado filha! Não quer agora. Mas quando quiser, mamãe vai colocar pra você, está tudo bem!” falei pra ela sorrindo, e saí confiante em meu ilusório mundo de que tudo sei sobre o universo dela. Assim seguimos o passeio. Ela, observando as folhas, as pessoas, o barulho dos carros e as estrelas desenhadas no protetor do carrinho. Eu, analisando quantos kms já percorri para queimar as calorias adquiridas na gestação, pensando em quais serão os próximos passos depois que a licença maternidade acabar, em como será minha vida profissional e a maternal e sempre observando se o sol batia em seu rosto pra garantir proteger a pele tão sensível e branquinha e garantir que estava tudo bem. Eis que alguns minutos se passaram, até que me dei conta de que ela continuava lá, mexendo com os dedinhos e tocando as estrelas desenhadas no carrinho, e espera, COM A CHUPETA NA BOCA.

O meu pensamento foi bem esse, “Calma… com a chupeta! Mas e… AH MEU DEUS, MEU BEBÊ CONSEGUIU COLOCAR A CHUPETA!”. E aí não me contive e comecei a comemorar com ela, a sorrir de felicidade e meu mundo parou naquele instante. Ela sem entender muito, aceitando de braços abertos qualquer sorriso e brincadeira, também ficou feliz e deu seus gritinhos. Naquele momento nada mais importava ou teria qualquer relevância. Nenhum dinheiro do mundo, nenhuma jóia ou prêmio. MINHA FILHA TINHA ACABADO DE SUBIR UM DEGRAUZINHO EM SEU APRENDIZADO E CONQUISTAS. Aquilo pra mim foi algo espetacular, único e grande o suficiente pra me deixar feliz o resto do dia.

É claro que no dia seguinte eu parecia mais criança que ela e só sabia tirar a chupeta da boca dela pra entregar nas mãoszinhas e ver ela colocando novamente na boca. Até que resolvi parar de fazer isso pra não estressar a bebê e criar ali um trauma por chupetas, até então inexistente. Mas quero ressaltar aqui que só parei no final do dia. rs

Agora, após colocá-la para dormir estava reflexiva, me perguntando quando exatamente deixamos de perceber os momentos preciosos que acontecem diariamente em nossas vidas? Em qual momento passamos a nos importar tanto com ascensão profissional, em ter um salário maior, mesmo que isso signifique menos tempo (ou as vezes nenhum) em casa com nossa família? Fazemos networking para manter contato com amigos de trabalho, happyhours, ficamos até tarde da noite trabalhando pra entregar projetos (como se 8 horas todos os dias não fosse o suficente) e ainda nos pegamos usando o nosso final de semana pra responder um ou outro e-mail. As poucas horas que temos em casa estamos em rede social, ou correndo pra limpar a bagunça, fazer uma comida ok ou ligar a tv pros filhos pra poder ter um tempo pra descansar. Estamos planejando o futuro, pagando contas, pensando na próxima reforma.

Aí a vida passa, o filho cresce e a conexao que poderia ser linda e completar os dois lados não acontece por inteiro. O casamento esfria e a ausência de tanto tempo nos traz o sentimento vazio com a nossa própria compania. A vida se resume a consumir coisas pra ver se aquele sentimento de entusiasmo e alegria, aparecem por pelo menos alguns momentos, que ficam cada vez mais breves. Procuramos psicólogos pra achar um sentido maior, quando na verdade o sentido esteve em baixo do nosso nariz o tempo todo e não percebemos, pois estávamos ocupados demais em parecer diferente, competente, merecedor de admiração de não sei quem, pra conquistar tanta coisa e alimentar um sistema super doente.

A vida passa tão rápido que eu não quero perder um minuto de tudo isso. Não posso desperdicar a dádiva de cada momento único e táo importante pra minha filha. Quero participar e mostrar pra ela o quão especial e único é viver.
Que tudo o que ela almejar terá forças e formas de conquistar, mas que o mais importante, para que cada conquista faça todo o sentido, está dentro dela e ao lado das pessoas que a amam. É essa troca sabe? É essa essência que faz toda a diferença entre sobreviver e estar vivo de verdade.

São os jantares que meu marido amavelmente prepara, cheios de novidades e cobertos de carinho e temperos do amor. São as risadas gostosas da minha filha, que deixa qualquer ambiente vibrante de amor e alegria.

Devemos trabalhar sim, para conquistar bens materiais, viajar e auxiliar em sonhos. Também é importante se dedicar e desenvolver o intelecto. Mas esses pratinhos devem ser equilibrados como uma entrada do cardápio. O prato principal, são aqueles que amamos e que escolhemos viver juntos, os filhos que são as bençãos que assumimos cuidar e amar e amigos que também fazem a nossa vida tão divertida e especial.

E aí eu pensei… preciso registrar tudo isso! O que cada descoberta dela, gera em mim. Quero que um dia ela possa ler alguns momentos da sua infância e ter a certeza que ali sempre esteve sua base, o alicerce dela que sempre poderá retornar todas as vezes que se sentir insegura, com dúvidas ou simplismente estiver com saudades. Que ela é amada como ela é. Que ela é muito querida e foi muito sonhada e planejada e que em cada mínima conquista, estamos juntos, pra vibrar, sonhar junto e agradecer, sempre, agradecer muito.

Foi assim ontem, colocando a chupeta totalmente independente, foi assim no primeiro dia que ela me olhou com tanta curiosidade ainda na sala de parto e logo alguns dias depois, quando sorriu pela primeira vez pra mim. Foi assim quando ela falou pela primeira vez um idioma que pode não fazer sentido algum para os adultos, mas que pra mim é o mundo. Quando ela virou o pescoço e me acompanhou andando pelo quarto, quando conseguiu agarrar os joelhinhos gordinhos, quando falou MAMÁ… quando descobriu as mãos e começou a colocá-las na boca. Naquele dia em que agarrou pela primeira vez um brinquedo, bocejou e depois riu. Foi assim quando começou a participar do banho, brincando com a água, e também no dia que meu marido despretenciosamente segurou suas mãozinhas e ela fez força pra subir, ele seguiu, e juntos em sintonia ela se sentou. Foi assim quando passei a entender que toda vez que ela está com fome, ela dificilmente chora desesperadamente. Mas começa a dar uma risadinha aflita, que pode ser totalmente confirmada se eu pergunto “É tetê que você quer”? É assim quando ela nos olha nos olhos procurando segurança, só pra ter certeza de que estamos mesmo aqui com ela. E nossa, foram só 4 meses que parecem anos de tanta novidade e ainda teremos um mundo inteiro para descobrir juntas.

São coisas que acontecem todos os dias conosco, mas deixamos de dar importância ou a mínima atenção há muito tempo. Sem perceber que o sentido da vida está aí dentro. O maior presente que recebemos todos os dias está na nossa frente, no aqui, no agora, só nos basta ser presente.

A Bella é tão pequena e já traz tanta transformação em mim.
Se tem algo que eu posso recomendar pra que você experimente uma vida plena e se transforme e transborde em felicidade, com toda a certeza é: tenha filhos. E quando tiver, comemore muito quando ela conseguir colocar a própria chupeta

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