Autoestima – o desafio de amar O NOVO corpo após a gestação

Esse é um tema polêmico porquê amar a gestação não significa estar em paz com todo o acontecimento e transformação que ela traz.
Eu por exemplo, amei estar grávida, não tive enjoos, não tive dores e posso dizer que 95% da minha gestação foi super tranquila e feliz. Amava tanto a minha barriga e sentir a Bella se mexendo dentro de mim, que esses eram os momentos mais incríveis e importantes no final do dia – corria pro banho ao chegar do trabalho e ficava deitada na cama só pra ver e sentir ela se mexer. Porém culpo esse bem estar e ausência de enjoos como contribuição significativa para engordar 18kgs na gestação, considerando também o fato de já estar acima do meu peso normal quando fiquei grávida (cerca de 7 kgs). Estamos ainda no primeiro parágrafo do post e já podemos considerar então que no final da gestação eu já estava 25kgs acima do meu peso normal.

E o peso não é a única transformação considerável que vivemos nesse período, porque se fosse, emagrecer já seria o suficiente.
Os hormônios da gestação nos faz ficar flácidas, perdemos massa magra e também a retenção de líquido se faz presente. Aumentamos também o percentual de gordura para termos estoque de energia para a amamentação e claro, nossos ossos ficam mais maleáveis para a passagem do bebê e o quadril também aumenta bastante, pelo mesmo motivo. Os seios ficam GIGANTES (graças a Deus, pois isso é um sinal de muito leitinho e fonte de vida para os nossos bebês) e devido à somatória de todos esses fatores, por mais hidratação que façamos, ganhamos algumas estrias de presente (algumas bem mais que outras – eu tive um pouco na lateral do quadril). Todas essas mudanças acontecem durante a gestação e por isso algumas mulheres se sentem muito incomodadas com as mudanças a ponto de não conseguirem se olhar no espelho.

Eu tinha a ilusão que mais da metade do peso iria embora depois do nascimento, mas após o meu parto (natural), eu dobrei de tamanho de tão inchada que fiquei. PORÉM, cerca de 10 dias em casa eu já tinha eliminado 10kgs. E a amamentação me ajudou muito a eliminar mais alguns bons kilinhos, porém de forma lenta e gradual, até estagnar totalmente.

Enfim, tantos detalhes MAS esse não é o principal ponto. O ponto é: algumas mulheres não ganham tanto peso na gestação e tudo funciona lindamente para elas, porém mesmo assim o corpo passa por mudanças e ele não vai ser mais o mesmo que era antes de engravidar. Talvez algumas estrias apareçam na barriga, ou os seios ficam muito flácidos após a amamentação e em alguns casos a mamãe não consegue retornar ao peso ideal dos sonhos após o primeiro ano (algumas não conseguem voltar mais, porque vamos combinar que as prioridades mudam e nos primeiros anos todo o foco e tempo é praticamente do bebê).

APESAR dos pesares, de histórias diferentes e insatisfações diferentes também, o principal é nos lembrarmos da mágica que acontece conosco. No quão abençoadas somos por ter o dom de gestar uma vida. De ser a casa de alguém por alguns meses e depois ter um laço tão incrível e um amor indescritível por um serzinho que acaba de chegar.

SIM! Devemos buscar voltar ao corpo que queremos ter, focar no procedimento estético, na reeducação alimentar ou no que for necessário para ficarmos em paz com o que enxergamos no espelho, porém o mais importante é sentir a profunda gratidão por esse dom, por ter um corpo tão perfeito capaz de tantas transformações intensas e continuar nos servindo e sendo nosso principal veículo aqui na terra.

Todas as vezes que olhei para o meu corpo, que foi grande parte da minha vida magro e que estava totalmente diferente do que eu já pude sequer imaginar que estaria, me dava uma vontade de chorar e eu me sentia culpada por isso, porque aquele momento era tão incrível que eu não tinha o direito de me sentir triste por algo superficial, e acabava me sentindo fútil e vazia. E só piorava quando ia no instagram e via blogueiras e digital influencers com a gestação perfeita, super magras e zero inchadas. Elas não pareciam ter nenhum desconforto e o corpo continuava lindo, apenas crescia a barriga. Algumas até postavam que emagreceram durante a gravidez e aquilo não fazia sentido pra mim. Por mais infeliz que eu me sentisse e deslocada ao ver todas as gestantes magras, eu nunca teria coragem de fazer qualquer dieta porque sempre tive a saúde do meu bebê em primeiro lugar. Depois, correria atrás do prejuízo e tinha a plena consciência de que a culpa de ter chegado ali naquele peso era minha, já que não prestei atenção na quantidade de comida e converti todos os anseios e medos da maternidade comendo bem mais porque tinha fome e porque queria “nutrir” meu bebê.

Então muitas vezes passei sem olhar no reflexo do espelho por não gostar do que eu via. Sabia que era temporário e que o principal foco seria meu bebê.
A academia, a dieta, as corridas, podiam esperar o momento certo pra acontecer, aliás, eu teria o tempo todo do mundo pra voltar na forma que mais me fazia feliz. Era pensar em tudo isso, e em tudo o que meu corpo aguentou passar, que só conseguia sentir gratidão e fui transformando esse sentimento de insatisfação com o corpo em algo momentâneo, deixando outros aspectos falarem mais alto, como por exemplo o fato do cabelo ficar cheio e lindo, da pele ficar maravilhosa e também de me sentir tão única e especial com uma dádiva de Deus crescendo dentro de mim.

Muitas mulheres se sentem super bem mesmo com uma nova condição física, algumas nem encanam em voltar a ter o peso ou o corpo que tinham antes e isso é super aceitável, não temos que ficar seguindo um padrão de beleza. Quem disse que ser magra é o mais bonito? Cada corpo é um corpo e tem mulheres que ficam muito mais lindas “cheinhas”. Aliás, me corrigindo, a beleza está muito além do peso… normalmente acho alguém bonita pela postura, energia, sorriso e quando a mulher se sente bonita minha cara, isso reflete e não tem como notar de outro jeito.

Cada um sabe a sua melhor forma, melhor fase e o que é relevante e importante. O fato é que eu estava me sentindo super descuidada e não fazer atividades físicas por me sentir cansada (e uma coisa vai levando a outra) me deixava muito pra baixo. Eu sempre fui muito ativa e realmente estava totalmente diferente depois que engravidei.

Então, além de focar no que mais importava e ser grata pelo momento vivido, também tomei algumas atitudes como parar de seguir perfis no instagram de pessoas fitness demais, com corpo muito escultural ou que só valorizava isso. Tudo o que não me acrescentava foi saindo e comecei a abrir espaço para outros perfis, fui encontrando mães com suas imperfeições (não físicas mas frustrações, medos, erros e acertos) e buscando também conteúdos que me preenchiam naquele momento. Isso ajudou demais e fez toda a diferença.

Esperei o desmame da Bella acontecer pra voltar a me pesar e buscar mudar o que eu via no espelho. Aí sim comecei uma reeducação alimentar, voltei a caminhar e depois correr e só não voltei pra academia porque a pandemia não me deixou tranquila para tal. E tudo foi acontecendo de forma lenta e natural, afinal mesmo com um bebê de 9 meses, não tenho o tempo de antes pra fazer atividade física – o meu tempo ainda é determinado pelas necessidades dela.

Então, pra conseguir adequar e atender às minhas necessidades, comecei a perceber os espaços na rotina da Bella e encaixar momentos pra cuidar de mim.
Hoje acordo as 6 da manhã pra correr, enquanto meu marido fica de olho na bebezita dormindo, assim já não deixo o acaso me guiar e eventualmente não fazer a atividade física do dia por qualquer motivo que venha a aparecer. Volto, tomo um banho bem relaxante e começo a rotina de mãe. Quando sobra espaço, ainda caminho com ela no parque, mas sem pressão de andar por determinado tempo ou distância, é apenas pra curtir com ela. Também voltei a fazer unha e usar meus cremes e outros cuidados que após o nascimento deixei de fazer por me sentir perdida e com falta de tempo.

Hoje, 9 meses após o nascimento da Bella, já estou com o mesmo peso que estava antes de engravidar. Ainda tenho um caminho a percorrer pra voltar à minha forma física dos sonhos, e sigo respeitando o tempo e meu corpo e mesmo assim me sinto muito feliz com o que vejo no espelho e consigo me reconhecer.

Hoje estou feliz e em paz com o que vejo e até posso afirmar que muito mais segura da minha beleza, sem necessidades de correr atrás de procedimentos estéticos pra mudar o que uma linda gestação trouxe. Posso dizer que são marquinhas de amor, da história mais feliz da minha vida.

9 meses de gestação

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