E então você chegou – relato de um parto

Quero compartilhar aqui tudo o que senti e guardar pra sempre os detalhes (que se perdem com o tempo) desse grande momento. MAS não consigo começar o post sem antes falar sobre a pessoinha mais especial da minha vida. Então, vou começar do nascimento.

O nascimento.

Eu já não tinha mais forças. Não conseguia abrir os olhos, não sentia mais meu corpo e as pernas. Foram horas e horas em trabalho de parto e tudo o que eu ouvia era “falta pouco Ju, a cabecinha dela já está aparecendo”, mas aquilo parecia uma eternidade. A cada contração eu precisava ser forte e tirar o meu melhor para fazer a “força” necessária e dar a luz a minha primeira filha.
Ela nasceu e eu, de olhos fechados só me dei conta de que tinha nascido quando ouvi todos murmurarem: Oh que linda! E o Dr. Nélio, um anjo em forma de obstetra que Deus colocou em minha vida, dizer com uma energia linda e sorriso enorme na voz: Bem vinda ao mundo Bella! (o Dr. Nélio está como GO no post pois o menciono inúmeras vezes).

Colocaram ela em meus braços e ao mesmo tempo me seguravam para que eu pudesse recuperar as forças e não ter risco de cair.
Com aquele anjinho em meus braços, tudo o que conseguia sentir era de amor e proteção, e muita, mas muita gratidão.

Abri os olhos para conhecê-la, e foi tudo totalmente diferente do que imaginei. Ela não chorou mas estava de olhos BEM abertos me encarando, como se estivesse louca para me encontrar. Tive uma certeza ali – estar vivendo um reencontro. Aquele olhar fixo em mim, como se já me conhecesse o bastante para confiar, um olhar tão vivo, com tanta vontade de conhecer tudo e logo aprender o que a vida aqui tem a oferecer.
É estranho dizer isso de um recém nascido, porque normalmente eles nascem com os olhos mais fechadinhos e dormem, mas sem exageros, a Bella não parava de olhar tudo (e é assim até hoje, curiosa, atenta e super presente). Ainda tenho uma vida para conhecer minha menininha, mas desde o primeiro instante que a vi, notei ali uma menina forte, decidida e com personalidade bem marcante. Se manteve na primeira hora totalmente acordada e ficamos as duas, nos olhando, nos conhecendo e sentindo aquela magia da Golden Hour.

Mas vamos começar cronologicamente?

O começo

As contrações de treinamento apareceram após as 24 semanas, a barriga ficava dura e logo passava. Não sentia dor e nem incômodo e logo me informei que era normal, pois o útero estava treinando os movimentos para quando chegasse o dia do parto.
Desde o começo da gravidez imaginei ter um parto normal e sabia que essas contrações eram de longe os sinais que eu sentiria quando chegasse a hora. Sempre ouvia dos médicos pra ficar tranquila porque quando fosse contração do parto NÃO TERIA COMO confundir. Hoje entendo o que eles diziam.

Cesárea eletiva e mudança de planos.

Importante fazer um adendo aqui sobre como é essencial nos sentirmos confortáveis e seguras com a escolha do Obstetra – tanto que mudei de GO algumas semanas antes do parto.
A Bella estava em posição cefálica desde a vigésima US, e mesmo sabendo que o bebê pode mudar completamente de posição até mesmo nos últimos dias, ela permaneceu cefálica o tempo todo e com 37 semanas já estava bem encaixada.
Tenho histórico na família de mulheres que tiveram partos normais, a começar por minha avó e também minha mãe e nunca tive problema de saúde e isso me incentivou muito a tentar o parto normal e me fez acreditar que se elas conseguiram, a probabilidade de dar certo comigo seria alta também – afinal, histórico familiar conta muito não é?

Durante minhas consultas com a GO que me acompanhou desde as primeiras semanas, sempre senti que ela preferia Cesárea. Nas vezes que abordei o tema parto normal, ela nunca me dava muita atenção e dizia que era preciso aguardar até o final da gestação e que mesmo com uma gestação completamente saudável, isso poderia mudar nos últimos dias. Uma vez ela comentou: Nós mulheres nos submetemos a tantos procedimentos cirúrgicos, lipo, próteses e não entendo o porquê desse medo de cesárea. É uma cirurgia como essas outras. Ali, já começou a ascender uma luz indicando que eu não estava na direção certa, mas o receio de não ter um profissional que me entendesse e pensasse diferente me fez continuar com a mesma GO.
Em outra consulta com 34 semanas, abordei novamente o tema e ela disse que tentaríamos o parto normal, porém que ela tinha como premissa esperar um nascimento em até 6 horas. e que se não acontecesse já indicaria cesárea pois isso significava sofrimento para mãe e bebê.
Não preciso explicar muito do porquê essa foi minha última consulta, não é? Além de não querer me sentir pressionada em parir em um determinado número de horas, por já ter lido casos de mulheres que tiveram o bebê em duas horas e outras em dois dias, também não era saudável comigo mesma transformar o momento do parto em estatística e ficar me questionando sobre o quanto tempo eu ainda tinha para a Bella nascer.

Fui conversando com amigas, pesquisando na internet e agendei com três GO na região de Campinas que faziam parto humanizado e levavam muito à sério o que a gestantes sentiam e queriam, além de priorizar sempre o parto normal.
E após encontrar o Dr. Nélio, não tive dúvidas – foi uma conexão logo na primeira consulta. Ele me recebeu muito bem no consultório, conversamos muito sobre meus anseios e preferências de parto, tirei todas as dúvidas e entendi o quão importante era sentir aquela segurança de que eu seria ouvida e respeitada.

Após conhecer meu novo GO, entendi que esse momento é tão especial para a mãe e bebê, tão único e tão importante, que se tudo estivesse bem com o bebê e com a mãe, seria super tranquilo e saudável aguardar quantas horas fossem necessárias para o nascimento. Isso se chama respeito, cuidado, empatia e amor. Enfim, ainda quero escrever sobre esse maravilhoso profissional e a enfermeira obstetrícia que foi parte da equipe que transformou e resinificou esse momento para mim.

Contrações de treinamento e pródromos – 1 semana antes do parto.

Quando completei 36 semanas, as contrações de treinamento (Braxton Hicks) já vinham acompanhadas com uma dorzinha e incômodos. As vezes eu tinha a sensação de que estava perdendo líquido amniótico, mas após algumas consultas e ultrassons tudo indicava que tudo caminhava normalmente e que o bebê se desenvolvia em um ambiente tranquilo e seguro.
Ao completar 38 semanas, eu sentia que o momento estava próximo, pois já não dormia direito a noite por conta das cólicas e dores e as contrações estavam bem mais fortes, mas não eram ritmadas. O fato de a cada dia tudo se tornar mais intenso e dolorido me indicavam que o momento se aproximava e que ela nasceria por volta das 40 semanas.
Solicitei a licença maternidade já com 38 semanas por sentir que precisava ficar mais tranquila e focada nesse momento e até acompanhei as semanas da lua pois diziam que normalmente bebês nascem em semana de lua cheia (não foi o meu caso).
As consultas passaram a ser semanais e mesmo imaginando que a cada noite que passava eu teria o bebê, ao ir nas consultas eu ouvia que ainda não era o momento pois meu colo do útero ainda estava grosso e também não tinha dilatação.

Líquido amniótico reduzido.

Fiz um ultrassom logo no quinto dia da semana 38 e o profissional que fez o US disse que o líquido amniótico estava muito baixo e que era muito arriscado para o bebê. Quando relatei que estava aguardando entrar em trabalho de parto e que tentaria parto normal, ele disse que com aquelas condições isso seria pouco provável e me orientou a ir o mais breve possível ao hospital pois era indicado uma cesárea no mesmo dia.
Claro que fiquei totalmente apavorada pois aquilo saía totalmente dos planos, já que aparentemente até ali tudo estava correndo tão bem, e porque em nenhum momento imaginei que minha filha estivesse em sofrimento. Ao sair da clínica liguei para o meu GO que pediu fotos do ultrassom para analisar com calma o que eu havia relatado.

Por coincidência eu havia feito o US em uma clínica diferente (os US anteriores foram feitos em uma mesma clínica em Campinas, porém naquela semana eles não tinham horário disponível) e para confirmar a avaliação o GO pediu que eu fizesse outro US em outro local. Consegui um horário para o mesmo dia em uma outra clínica e já estava com o coração na mão, super preocupada se a bebê estava bem.
Nessa nova clínica a avaliação era que o líquido estava pouco abaixo do indicado para a idade gestacional, porém que ainda estava no limite e que uma boa hidratação e ingestão de muito líquido deveria ser o suficiente para aguardar alguns dias, sendo viável um parto normal.

Ao retornar ao GO com os exames fiquei muito mais tranquila ao saber que teríamos a possibilidade de aguardar mais um pouco e se eu não entrasse em trabalho de parto na próxima noite partiríamos para o plano B. A recomendação era tomar bastante líquido (fevereiro né minha gente…aquele calor MARAVILHOSO) e descansar o possível.
Naquela noite, as contrações foram muito maiores, eu sentia fisgadas, dores na lombar e nas pernas. Não tinha banho ou posição que amenizasse, nem buscopan estava funcionando mais – eu já não dormia bem nos últimos dias.
E então, a Ma (enfermeira obstetra) chegou em casa às 5 da manhã do domingo para avaliar se eu já estava em trabalho de parto. Ouviu o coração do bebê que estava ótimo e após me avaliar disse que ainda não era o momento – eu estava em pródromo e aquilo poderia durar dias até realmente entrar em trabalho de parto.
Já sentia muitas dores e o volume de líquido me preocupava bastante. Apesar de estar tudo bem com a bebezinha, me sentia insegura sobre o volume de liquido ter diminuído de um dia para o outro. Então, combinamos que se eu não entrasse em trabalho de parto durante o dia, logo na segunda-feira voltaria no consultório para mais uma avaliação e começar a indução para o parto com internação na própria segunda (se tudo corresse como o planejado).
O domingo passou com dores que iam e vinham. Banho quente, bolsa quente na lombar e meu marido me apoiando em todos os momentos – ele tinha pavor da possibilidade da Bella nascer em casa.

O balão – sonda.

Segunda-feira, já com 38 semanas e 6 dias, retornei ao consultório e ainda estava com 2 cm de dilatação, o que nos levou ao plano B que era colocar o balão para induzir o parto – achamos arriscado esperar por muito tempo o corpo fazer seu trabalho e o processo de dilatação avançar naturalmente por conta do pouco líquido amniótico e colocando o balão talvez eu teria uma evolução bem mais rápida e assim foi feito.
De forma bem simplista e resumida, um balão com um pouco de líquido é inserido através de uma sonda entre o colo do útero e o canal vaginal e costuma surtir efeito nas próximas 12 horas. Ele faz uma pressão e com a ajuda da gravidade costuma dar bons resultados, e apesar de ser bem simples, não é um método muito utilizado no Brasil (que tem um número assustador de cesáreas com cerca de 55% e chega a 84% em hospitais particulares. Clique aqui para ver um post muito interessante sobre esse tema e também esse outro post que mostra a taxa de cesárea por ano e por convênio).

Bem cedo, por volta das 8 horas da manhã, fui ao consultório do GO e quando ele inseriu o balão pela primeira vez achei bem simples e não senti dor. Quando estava saindo do consultório, logo em frente ao elevador senti uma água descendo e voltei correndo com a roupa toda molhada imaginando que já tinha funcionado mas não, (não foi tão fácil assim rsrs) era apenas o balão que estourou. Ele colocou novamente outro balão, mas dessa vez senti bastante desconforto e dor.
Além de sentir mais dor com o balão, também estava super desconfortável pois uma parte dele fica “grudado” com uma fita na perna, para não ficar pendurado e incomodar ao andar. Além da dor normal das contrações e na lombar e pernas, senti uma dor similar à cólica menstrual, porém potencializada.
Ao chegar em casa, tentei relaxar e dormir porque sabia que precisaria de forças para o tão esperado momento que estava chegando. Sabemos que as últimas noites são mal dormidas, não tem posição que ajude e as contrações normalmente nos tiram de qualquer eventual cochilo.
No período da tarde, as contrações que eu estava sentido (agora um pouco mais ritmadas) e dores na lombar e pernas aumentaram muito e passaram a se tornar mais e mais insuportáveis, mesmo assim nenhum sinal de rompimento da bolsa.

Já no final da tarde as dores foram intensificando e as contrações começaram a ser ritmadas e então por volta das 19 horas nos encontramos com o Dr. no Hospital e me internaram ao constatar que já estava com 5 cm de dilatação.

Internação no Hospital e procedimentos para indução do parto

Muitas pessoas se questionam se vale a pena pagar uma equipe médica para fazer o parto (Ginecologista Obstetra, Enfermeira Obstetra, em alguns casos a Doula e também a Pediatra) e eu acabei optando por ter uma equipe menor, com o GO e a Enfermeira Obstetra. Não encontrei uma Doula que me fizesse sentir confortável e segura o suficiente e também acabei optando por utilizar o pediatra e anestesista que estivesse de plantão.
Tenho certeza que uma equipe completa faz todo o sentido, principalmente se existe uma conexão verdadeira entre os pais e os profissionais.
A minha experiência foi incrível a começar pelas avaliações e conversas com os dois nos dias que antecederam o parto, e pela internação.
Ao chegar no hospital, mesmo que tenha uma equipe particular, é necessário passar pela triagem para poder então seguir com a internação, e comigo não foi diferente. Como já havia conversado com o GO ao sair de casa, quando cheguei para dar entrada tudo foi muito rápido pois ele já estava lá e adiantou a internação e muitas outras coisas – farei um post para falar melhor para falar deles e de como tudo impactou positivamente.
Em menos de 1 hora já tinham feito o exame de toque e estava em meu quarto aguardando os primeiros procedimentos para induzir o parto com misoprosol, pois apesar de ter dilatação o colo do útero precisava ser preparado e depois de surtir o efeito desejado, iniciamos com a ocitocina sintética para aumentar as contrações. Essa última eu tomei na veia de forma bem lenta e gradual até ter os primeiros sinais de estar efetivamente em trabalho de parto.
No final da noite resolvemos não repetir a dose da ocitocina para que eu pudesse ter uma noite de sono mais tranquila e retornar no próximo dia.

Início do trabalho de parto

Amanheceu e estava revigorada, apesar das contrações fortes e dores consegui dormir e descansar para o que viria a seguir.
Logo às 9 horas da manhã, voltei a tomar ocitocina na veia e as contrações voltaram a vir bem fortes e ritmadas, tanto que às 15 horas já estava com 7 cm de dilatação e nos mudaram para a sala de parto – quando tudo efetivamente tomou uma proporção maior pois parecia que a qualquer minuto o bebê nasceria.
A dor era intensa e comecei a sentir muita pressão no quadril e fortes dores na lombar, além de sentir uma expectativa tomando conta e um receio de como seriam os próximos minutos ou horas.
Em um dado momento, ouvi a pessoa que estava em trabalho de parto na sala ao lado gritar, seguindo do choro do bebê. Aquilo me dava forças mas me assustava ao mesmo tempo, pois o grito que eu ouvi era realmente de outra dimensão. Eu sabia que ela tinha tomado analgesia e então questionei a equipe do porquê ela estava com dor se já tinha sido medicada. Foi então que um medo tomou conta quando me lembraram que o fato de tomar anestesia não significa tirar a dor, já que é necessário ter o controle do corpo para fazer a força do nascimento.
Nesse mesmo momento conversei com o GO e disse que não aguentava mais as dores. Estava quase desistindo da ideia de parto normal, pois a dor que sentia era sobrenatural e não tinha perspectivas de quando nasceria e o quanto mais conseguia aguentar. Sentir as dores, as contrações e ter que fazer força, suga nossa energia de uma forma inexplicável.
Por volta das 16 horas, ele fez exame de toque e estava já com 9 cm de dilatação e tinha um tempo que aguardava o anestesista para milagrosamente amenizar minha dor. A analgesia já estava no plano de parto e de acordo com o meu médico seria administrada de forma bem sutil para amenizar a dor, porém ainda sentiria um pouco para poder ter controle das pernas e também fazer a força para o nascimento.
Eu estava tão esgotada fisicamente que quando a dor começou a diminuir acabei caindo no sono ali mesmo na sala de parto e foi revigorante.

Momentos antes de tomar anestesia – enquanto ouvia o parto na sala ao lado.

Acordei 30 minutos depois e retomamos o trabalho de parto – as contrações vinham eu fazia bastante força, porém dessa vez com menos desconforto. APESAR de tomar analgesia a dor permanece, porém mais sutil o que dá mais forças para se concentrar na próxima contração e em toda a força “no lugar certo” que deve ser feita.
E um detalhe importante, durante esse tempo todo minha bolsa não se rompeu e então o GO fez o rompimento da bolsa e para a nossa surpresa não saiu aquela aguaceira como em filmes – sinal que meu líquido amniótico estava realmente mais baixo e foi acertada a decisão de induzir o parto.

Já estava em um processo bem próximo do nascimento, conseguia ver a cabeça da Bella pelo espelho e sentir com as mãos. Apesar disso, tive que tomar uma segunda dose de analgesia pois o efeito já tinha passado e as dores voltaram totalmente.
Após a segunda dose foi tudo muito rápido.
Durante a força, as posições eram diversas. A equipe me auxiliava a fazer alguns agachamentos a movimentar meu quadril e tentamos algumas posições até entender a que eu me sentia melhor para continuar.
Por fim, fiquei de cócoras na banqueta agachada e meu marido o tempo todo atrás de mim me dando apoio (moral e físico). Era onde descansava entre uma contração e outra apoiando minhas costas nele.
Sempre idealizei ter o parto em uma banheira por aparentemente dói menos, e apesar de não ter banheira na sala de parto, quando tudo estava acontecendo a única posição que me fazia sentir conforto e menos dor era a de cócoras – sinal de que muito do que idealizamos não funciona na prática pra gente.
A posição de cócoras é muito boa para o nascimento pois a força da gravidade ajuda no momento da força e fisiologicamente faz mais sentido né?

Minutos antes do nascimento da Bella.

E eis que, às 18h39 do dia 18 de Fevereiro de 2020 nasceu minha princesa e meu mais intenso amor.

Golden Hour.

Esses primeiros momentos entre mãe e bebê, é fundamental para já logo estabelecer e consolidar aquela conexão única que começa lá no início da gestação e se fortalece durante os meses seguintes. Foi essencial e mágico ter esse tempo com ela, sem procedimentos, sem médicos ou qualquer pessoa da equipe ali questionando e falando algo. Éramos nós três e o silêncio. Eu, ela e meu marido que ficou apenas observando e também contemplativo. Foi um silêncio profundo, apenas para sentir aquele momento único, para agradecer à Deus pela oportunidade de ser mãe, de conhecer minha linda filha que estava em meus braços com muita saúde e claro, por tudo ter corrido perfeitamente no parto e viver aquele momento intenso de entrega, com o apoio e presença do meu marido. Foram horas maravilhosas e de uma conexão incrível. Tinha em meus braços um bebê e queria ver e conhecer tudo, seu cheiro, olhos, a boquinha, os cabelos, mãozinhas e pezinhos tão lindos. Tanta coisa que ainda não sabia sobre ela, descobrir seus gostos, sua personalidade e como seria a nossa relação. Nascia ali uma família. Conhecia tão pouco sobre ela e já a amava intensamente.
E também é um momento que o instinto fala tão alto. Eu, mesmo sem experiência com crianças, tive a certeza exatamente do que fazer para minha filha ficar bem, protegida e amada. O instinto materno de fato surge e de repente estamos certas do que fazer, de como proteger o bebê, do amor que ali existe e ficamos muito seguras enquanto ao que deve ser feito.
Uma menininha tão linda, que contraditoriamente nasceu sim como um bebê de novela. Toda rosinha, com os olhos bem abertos e observando a todos. Ela não tinha o vérnix que normalmente cobre os bebês, talvez por ter pouco líquido amniótico? Não sei se tem alguma explicação.

Nosso momento, troca de olhares e intenso amor.

A importância da equipe médica

Entendo que muitas mulheres não têm o privilégio de poder contratar uma equipe médica para o trabalho de parto e acabam utilizando a equipe de plantão e que em alguns casos pode ser maravilhoso também. O risco que entendo nesse caso é se o plantonista que estiver na hora do seu parto for “cesarista” ou tiver ideia de parto muito diferente do que você imaginou. Muitas mulheres nem tem a oportunidade de internar por convênio ou particular e acabam utilizando o SUS, que apesar de ter um índice melhor em partos normais, também é loteria – podem ter um atendimento maravilhoso do começo ao fim ou pode ser o oposto.

Ter uma equipe que te acompanhou na gestação ou ao menos que entende os seus receios, sabe do seu histórico e procura entender detalhes do seu plano de parto é uma benção.
O momento é único, é especial, é doloroso e ter escolhido tão bem minha equipe foi um presente de Deus. Me senti respeitada a todo momento, ouvida e sentia em diversas etapas do trabalho de parto muita empatia e amor. O Dr. Nélio e a Marcela foram verdadeiros anjos. Frases como “Vai dar tudo certo, respira e acredite”, “Você consegue, estou aqui!” e “Olha pra mim e apenas respire” foram uma das muitas que ouvi. Profissionais que olhavam em meus olhos e me passavam toda a segurança que o momento pedia, não só técnica, mas um apoio que ia muito além.
Além disso, sempre procuraram incluir meu marido em tudo. As vezes ele estava num canto da sala chorando emocionado, outras preocupado comigo e em alguns momentos se sentia imponente pois nada podia fazer para passar a dor ou para tudo ter um desfecho rápido e bom para todos. E em todo momento eu vi o Dr. Nélio o incluindo no parto, chamando pra ver como tudo estava, dando dicas sobre como podia me ajudar.
Quando a Bella nasceu, além de uma recepção amorosa e delicada, foi tudo respeitoso pra ela também. Imediatamente colocaram ela em meu colo e ficamos grudadinhas por muitas horas. Não dei o banho nas primeiras 48 horas, não pingaram o colírio, só cortaram o cordão após parar de pulsar e vários outros detalhes que estava em meus planos foram respeitados. É claro que analisaram rapidamente e viram que ela estava bem e saudável e isso contribuiu para que tudo corresse como sonhei. Os procedimentos de pesagem, medição, vacinas dentre outros foram feitos bem depois.

A Bella nasceu com o apgar 10/10, medindo 46 cm e com 3.195 kg.

Tudo isso transformou e ressignificou qualquer dor que eu senti naquele dia. Foi o dia mais incrível, intenso e transformador da minha vida e recomendo muito que se você puder, faça seu plano de parto, se programe financeiramente e priorize o que mais importa nesse momento: respeito, carinho, atenção, empatia e muito amor com a gestante, o companheiro e o bebê.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s