Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?

A vida é cheia de surpresas e entramos em um loop onde não percebemos mais o novo quando acontece com a gente. Ficamos em um estado de constância, onde a rotina se repete a cada dia e pouco notamos quando algo diferente acontece. O tempo passa cada vez mais rápido e quando paramos para pensar nos nossos dias e anos que se foram, nos questionamos se estamos mesmo fazendo nosso melhor, porque nada parece ter mudado muito.
Essa reflexão começou ao observar em como a Bella (minha filha de 10 meses) se encanta diariamente com coisas simples. A primeira vez que ela notou a chuva, foi um espanto tão grande! A sala de casa tem um pé direito bem alto e um vidro que acompanha praticamente toda a altura, dando uma luz natural incrível e do jeito que sempre gostei. Pois bem, quando chove dá pra ter uma visão panorâmica do céu e da chuva e a Bella ficou encantada com as gotas d’água no vidro, depois com o movimento da chuva lá fora e por fim com o céu e suas cores. Ficou tão evidente a sua felicidade em presenciar aquele momento, que passei a observar mais as pequenas coisas que a deixavam tão feliz assim. Notei então que grande parte da rotina dela é novidade e o suficiente para que ela pare tudo para apenas observar. Cada objeto, acontecimento mínimo, ela observa e reage de forma intensa e com muita energia.

O que pra gente é banal, para os bebês é incrível e novo. Já repararam na felicidade deles? No quanto se animam e nos gritinhos e curiosidades que uma novidade traz? A pergunta que fica é: por que deixamos de notar o novo? Em qual momento da nossa vida passamos a ignorar as novidades ou deixar essa contemplação desaparecer?
Sinto que nós adultos, estamos em constante busca por algo grandioso. Quando comprarmos a casa dos sonhos, quando fizermos a viagem para outro país, quando formos promovidos no trabalho. Só e SE quando alguma dessas coisas acontecerem, aí sim nos surpreendemos e permitimos esse sentimento contagiar e fazer parte.

Daí paramos não só de observar o que nos acontece, como deixamos também de arriscar o novo. E então automaticamente deixamos de viver coisas diferentes e nos descobrir. Quem pode garantir que aí dentro não existe uma a brilhante escritora? Ou que além de saber cozinhar muito bem, tem uma mão incrível para cuidar de flores? Não precisamos buscar por algo complexo e inalcançável. O mistério está em se descobrir com o que está ao alcance. Simples, porém verdadeiro.

Eu penso o seguinte, nós temos pouco tempo pra viver tudo o que esse mundo tem pra oferecer. Em uma vida não conseguiria visitar todos os países que sonho conhecer, aprender cultura, idioma… não conseguira morar em tantos lugares que sonho morar. Mas ao mesmo tempo, que sabemos ter pouco tempo, não somos eficazes para usar o pouco tempo que nos resta. Desperdiçamos com redes sociais em influencers que não nos acrescenta em nada, com sites de fofocas ou brigas políticas. Se cada segundo conta, mesmo que não seja para ir até o grande sonho, deveria estar focada em usar sabiamente esse tempo que continua correndo, certo?

Quando fiz 30 anos esse sentimento ficou muito forte e felizmente os cinco anos seguintes foram intensos e muito felizes. Depois fui seguindo minha intuição em diversos momentos, mudei de emprego, me casei, mudei de emprego novamente, engravidei, mudei de cidade e mudei de emprego novamente. Não me permito mais viver situações que não me acrescentam por um tempo considerável. Se está ruim, se não estou feliz e não tem me acrescentado, eu logo dou um jeito de repaginar ou fechar o ciclo. Simples assim. E tem funcionado muito bem!!! O importante é ser racional para não mudar o que não tem necessidade e também não cair na vulnerabilidade e querer mudar drasticamente alguma situação que é temporária.

Respondendo o título do post, ao criar essa nova forma de observar as coisas pude notar que nos últimos anos fiz muitas coisas diferentes e saí completamente da minha zona de conforto. Então esse título me cai muito bem, pois poderia citar primeiras vezes por muitos parágrafos. A primeira vez que resolvi saí da área de atuação (Marketing) para atuar em uma área bem diferente mesmo amando o que eu fazia. Quando decidi engravidar e passar por um tratamento (FIV). A gestação foi repleta de primeiras vezes e o nascimento da minha bebê então, foi vencedor e continua sendo. Vivo primeiras vezes na maternidade a cada dia e isso tem me transformado.

Enfim. Você pode não ser mãe, ou também não ter vontade de mudar da área de atuação. Mas com certeza existem muitas pequenas coisas que entrariam na sua vida pela primeira vez. Que tal se dar a oportunidade e viver experiências novas? Se permitir e ser feliz?

Fica aí meu convite. 🙂

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