A linda descoberta que é o maternar

Depois que me tornei mãe passei a me questionar constantemente sobre estar oferecendo o melhor para a minha filha, estar de fato fazendo o que deveria ser feito ou só o que era mais fácil naquele momento. Essas dúvidas passaram a pairar em situações bem simples como dar só uma fruta e suplementar com leite ao invés do almoço em dias em que ela se recusava a comer, até definições mais complexas como continuar me dedicando também à carreira profissional ou me dedicar exclusivamente à maternidade.

Sei que equilibrar os pratinhos não é tão simples quanto parece. O ideal dos mundos sempre é conseguir um equilíbrio e não ter que abrir mão do que consideramos importante, porém quando se trata de decisões que envolvem todas as frentes da sua vida, esse encaixe de todas as atividades é muito mais difícil e sinto que em alguns casos é inevitável dizer não para algumas coisas e se ver forçada a escolher.

Eu me planejei muito pra ter a Bella e antes da chegada dela, me dediquei muito à carreira e me sinto muito orgulhosa pelo caminho profissional trilhado e por tanto aprendizado e conquistas. Quando tomei a decisão de engravidar, soube que teria que diminuir o ritmo profissional. As viagens internacionais a trabalho seriam nulas por um bom tempo e aquela autonomia de ter uma agenda super produtiva para concluir meus objetivos pessoais sofreria também mudanças. Então diga-se de passagem que não é uma surpresa todo esse dilema sobre ter que adiar alguns projetos pessoais por estar vivendo um dos maiores planos da minha vida – ser mãe.

Esses conflitos, somados às responsabilidades que envolvem a maternidade, me fizeram dar um salto gigante e amadureci bons anos. Agora sei que existem coisas que devem ser feitas, esteja eu animada ou não para fazê-las acontecer. A rotina envolvendo a higiene, sono, alimentação e ordem de uma criança, norteiam o melhor desenvolvimento e crescimento e para mim são valores inegociáveis. Deixei de ler meus livros a noite por exemplo, para estar no quarto dela todos os dias garantindo que pegue no sono antes das 21hs e também ainda ao lado dela quando tem o primeiro despertar após 40 minutos, até pegar no sono profundo – e será assim pelo tempo que for necessário, até ela aprender a dormir e ter autonomia para tal. Como essa, outras muitas atividades que costumava fazer, foram deixadas em stand-by, até eu ter concluído esse estágio do desenvolvimento dela… e passa tão rápido.

Fiz vários cursos sobre maternidade, autoconhecimento pra entender em qual tipo de maternidade acredito. Se quero seguir uma disciplina positiva ou se acredito mais em uma educação com regras e limites na primeira infância – e inclua aí alguns nãos bem firmes. Temas que antes eu nunca parei pra pensar e não me programei pra estudar sobre – as coisas foram fluindo, fui sentido necessidade de aprender e indo atrás do que entendo que é o que preciso no determinado momento.

Engraçado que vivemos uma vida nos preparando para a profissão, com pós graduação, MBAs, e muitos outros cursos… e a educação dos nossos filhos esperamos que seja algo “intuitivo”, quando na real é muito mais profundo e requer preparo, para ponderar tantas questões. É necessário conhecimento para fazer escolhas tão importantes que norteiam o futuro de um ser humano. É muito curioso que a maioria dos pais não estudam sobre e não dão a importância que tem. Normalmente terceirizam para escola, dizendo que é papel do educador entender o melhor método de ensino, ou do terapeuta para orientar uma criança que não consegue respeitar os pais.

Aos poucos mudei progressivamente os perfis que sigo no Instagram e me vejo cercada de mães que discutem maternidade sob várias perspectivas. Tomei conhecimento sobre as camadas da personalidade e o quanto posso evoluir e ser alguém melhor para a Bella e para o mundo. Entrei em um clube de leitura sobre maternidade leve e passei a estudar comportamento humano e temperamentos. Fiz até agora cursos que vão de amamentação, sexualidade infantil, birra, até curso do sono do bebê.

Minha preocupação agora é em ser alguém mais forte, atenta, cuidadosa, corajosa e presente. Meu foco está em desenvolver minhas virtudes para que eu possa me doar de corpo e alma à maternidade, ser exemplo para a minha filha e inspiração pra que ela encontre em mim seu porto seguro.
Passei a me preocupar muito mais com o legado que estou deixando para as pessoas, com a diferença que estou fazendo no mundo.

Veja bem, não é que antes eu não me preocupasse. Sempre trabalhei duro, busquei fazer coisas que acredito serem corretas e fui atrás de auto conhecimento e aperfeiçoamento, mas a motivação era diferente. Antes, vivia cuidando da minha aparência e do meu corpo, olhar no espelho e estar satisfeita com o que enxergava, subir na balança e estar feliz com o número que via ali. Caber na melhor roupa, me sentir bela no trabalho, em casa, nas festas com amigos ou com a família. A preocupação era estar bem e sentir que eu transmitia aos outros aquilo que eu era.

Agora, o número da balança não me diz tanto sobre onde quero chegar, já que mesmo voltando a ser o mesmo peso que era, ainda assim vejo transformações necessárias em meu corpo – e juro que dessa vez não é apenas por estética, mas tem um sentido muito mais profundo. Sinto que o corpo bonito é apenas um reflexo do que preciso alcançar, porque o objetivo principal é ter um corpo saudável, para poder ter vitalidade para seguir os muitos anos que ainda quero viver. Quero um corpo forte, para aguentar todos os meus sonhos, e poder de forma leve suportar horas de trabalho e ao mesmo tempo toda a dedicação à minha filha e família.

Aquelas horas que eu passava na academia, que em alguns dias eram perdidos por não estar muito afim, agora passam a ser cruciais, já que não tenho tanta flexibilidade na agenda para ir em outro horário, ou para ficar algum tempo a mais no dia seguinte. O tempo que consigo agora, é único e momentâneo, por isso preciso ser o mais objetiva possível para fazer valer a pena – já que amanhã, só Deus sabe se conseguirei o mesmo horário para seguir o plano.

Dentre esses pequenos exemplos, muitas outras coisas mudaram já que toda a agenda da Bella está na frente da minha e as necessidades dela estão em primeiro lugar pra mim. Se ela estiver bem, segura e dentro do que considero saudável no meu ideal de maternidade, aí eu começo a olhar para as minhas prioridades e escolho quais batalhas quero priorizar.

Eis que em meio a tudo isso, optei por continuar atuando profissionalmente.
Houve uma indecisão assim que acabou minha licença maternidade. Estava ainda trabalhando em home office, mas não me sentia conectada com a empresa e com as atividades que me aguardavam. Então optei por me desligar e o plano era ficar com a Bella por mais um ano, focando exclusivamente nela.
E então, em menos de um mês me apareceu uma oportunidade muito bacana, também para trabalhar de casa, onde eu teria a oportunidade de montar uma área do zero e vislumbrei muita bagagem profissional e também uma maior compreensão e tempo pra ficar com a Bella. E logo parti para o novo desafio. Totalmente fora dos planos mas que veio para que eu não tivesse como esquecer o quanto gosto de trabalhar, de colocar minha marca e paixão em tudo o que faço e me ensinar também a dosar o tempo de trabalho e tempo de cuidar da minha bebê.

Confesso que não tem sido fácil. Tem dias que me orgulho demais por estar conseguindo. Que noto o como continuar atuando em minha área me faz bem e como eu sou felizarda por poder contar com apoio da minha mãe, do meu marido e ainda ter minha filha sob meus cuidados, meu olhar, e várias escapadas entre reuniões e projetos para abraçar, beijar e dar um cheirinho. Sem contar nas muitas vezes em que tenho minha filha trabalhando comigo no escritório – parceria melhor não há.
Porém em outros dias, me desespero, penso que eu poderia ser uma mãe melhor, ficar mais tempo com ela cuidando e observando seu desenvolvimento e que foi um erro ter voltado ao trabalho. Acho que ela não come como deveria, não dorme o quanto deveria, ou que ficou na tv para que eu pudesse fazer uma reunião, quando os planos era ela nem ter acesso à TV em primeiro lugar.

E assim sigo essa vida louca, entre me culpar, chorar, me questionar se estou errando tanto assim. Depois respiro fundo, agradeço à Deus por olhar e ver que esses 1 ano e 4 meses passaram voando e como eu consegui me sair bem até agora.

Tive que deixar ir aquela profissional super envolvida, que ficava horas a mais se necessário para entregar um projeto. Que cobrava de forma meticulosa da equipe para performar com excelência e sem deslizes e dei lugar à uma profissional que entrega o melhor que pode, mas que não se dá ao luxo de ficar após o expediente para melhorar uma apresentação, ou avançar a entrega para surpreender. Agora, cada reunião precisa ser aproveitada em seu tempo exato, cada minuto em frente ao computador deve ser aproveitado em sua totalidade, já que preciso e quero estar inteira nos momentos livres com minha família.
Saiu de cena a workaholic e entrou a profissional mais eficiente, objetiva, madura e também a líder mais humana e que consegue observar as fragilidades da equipe como pontos a aprimorar e equilibrar, e não unicamente a desenvolver e reconhecer.

Ainda estou aprendendo com essa nova profissional mãe. Ainda luto em alguns momentos por extrapolar um pouco mais no computador e nas reuniões do que deveria. Também respiro fundo e me recordo que 30 minutos que deixei a mais na TV ou o dia em que trocou o almoço por mamadeira não é o fim do mundo. Está tudo bem, a vida segue e o dia seguinte chega para me lembrar que sempre existe uma próxima oportunidade para aprender e ensinar.

Me corrijo, me perdoo, me reconheço, me transformo e me amo mais e termino todo dia com um super orgulho do que estou me tornando.

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